Nos últimos anos, o assunto bem estar animal ganhou importância no Brasil. o uso dos conhecimentos e técnicas tem trazido importantes aportes econômicos a pecuária de corte.

Os prejuízos com manejos errôneos que ocorrem durante o trabalho com os bovinos, ao conduzir os animais, nas mangueiras ou mesmo soltos no seu ambiente, levam a perdas economicamente importantes, mas muitas vezes imperceptíveis, aos olhos de quem desconhece o assunto. Melhorias neste tema requerem treinamento e conhecimento básico para minimizar prejuízos que chegam a 30kg por cabeça no período de um ano. Ter melhores conhecimentos dos bovinos e de técnicas de bem estar animal, facilita o trabalho e melhora índices produtivos e reprodutivos.

Desconhecimento do manejo correto de bovinos produzem perdas importantes no uso de técnicas reprodutivas como IA, IATF e manejo de touros, tanto nas mangueiras como durante todo o período de trabalho com as mesmas.

Perdas numa atividade de engorda, por exemplo, podem ser observadas e parcialmente recuperadas num espaço de tempo mais curto. Já no IA, IATF, touros, as perdas são mais complexas. Profissionalmente, onde se busca integração lavoura/pecuária, ou um terneiro vaca/ano, estas técnicas são de tempo limitado e poderemos ter atraso e ate perdas de prenhes.

Os bovinos têm hábitos "gregários" por serem milenarmente perseguidos por predadores como o homem, felinos, caninos, entre outros. O isolamento de animais durante o trabalho, se não realizado com calma e conhecimento, irá levar a alterações de temperamento e dificuldades ao homem e prejuízos ao animal.

No caso da visão dos bovinos, o mesmo tem um campo de visão de cerca de 300 graus, muito maior que a dos predadores (homens, felinos e caninos) que é de 180 graus. Nos bovinos isto significa uma visão muito mais ampla que implica numa melhor proteção, visto a abrangência maior. No entanto, o bovino não enxerga bem para frente e tem dificuldades, especialmente nos centros de manejos (mangueiras, seringas, bretes), pensados, desenvolvidos e trabalhados com a nossa visão, completamente diferente.

Outro aspecto importante é a audição dos bovinos, muito superior a nossa. No entanto, gritos, latidos de cães, pancadas nas tábuas, guizos, entre outros, estressam os animais. Isto leva a alterações do sistema nervoso que comprometem outras respostas, como por exemplo, as reprodutivas. Chegando a níveis de estresse, com depressão de imunidade dos animais e aparecimento de doenças, chegando ate a morte dos mesmos.

Um mínimo de conhecimento das características dos bovinos nos leva a melhorar índices reprodutivos, produtivos e éticos.  Principalmente podemos melhorar nos manejos com os bovinos, diminuindo os ruídos altos (como gritos e cães), lesões causadas por equipamentos e indivíduos agressivos e a pressa. Com variáveis como o tipo de mão de obra, o nível de medo dos animais, o tipo de mangueira e pisos das mesmas, a velocidade do trabalho deve ser ajustada a estas caraterísticas da propriedade.

É importante reconhecer que mesmo que seja um número pequeno, existem propriedades que já adotam técnicas de bem estar animais e que estão avançando mais ainda dentro do processo. Tomar a decisão e qualificar as equipes de trabalho irá trazer respostas econômicas e de bem estar tanto ao homem quanto aos bovinos. Estes treinamentos qualificam a mão de obra, valorizando essas pessoas que, por existência própria, respondem a este conhecimento tão próximo do seu dia a dia.

 

Dr. Mozart Turino de Farias