A mortalidade embrionária é um problema de grande importância em todos os sistemas de criação de bovinos. Necessita de monitoramento constante em todas as propriedades, uma vez que quando ocorre acarreta graves perdas econômicas e produtivas.

      Entende-se por mortalidade embrionária toda perda gestacional que ocorra com até 45 dias de gestação. Quando a morte embrionária acontece nas fases iniciais da gestação costuma-se denominar "reabsorção embrionária", porém este termo só deve ser utilizado ate o 45º dia de gestação, uma vez que o útero após esse período não tem condições de absorver os tecidos fetais. Os dados da literatura são bastante variáveis.

       Nos casos de monta natural ou inseminação artificial, quando a perda embrionária ocorre antes doas 17-18 dias após a cobertura não é possível diferenciar entre a morte embrionária e a falha de concepção. Pois há o retorno do estro no período esperado, ou seja, de 18 a 23 dias após o último ciclo astral. Quando o embrião permanece viável por mais de 20 dias ele produz substancias que inibem a luteólise, assim o retorno do estro vai ser mais tardio.

      O monitoramento das perdas embrionárias pode ser feito mediante diagnostico precoce de gestação (25-35 dias) através de ultrassonografia. Neste caso, além de indicar quais fêmeas não estão prenhas e recomendar rapidamente o tratamento adequado para que estas possam conceber, também servirá como parâmetro de análise. Pois quando da realização do exame definitivo de prenhez, que ocorre aos 50-55  dias de gestação, será possível mensurar o percentual de perdas embrionárias ocorridas no período. A partir destas informações poderá ser feita uma seleção das melhoras reprodutoras, permitindo em curto prazo ganho na produção.

As causas das perdas embrionárias são variadas, podendo-se dividir em: ambientais, infecciosas, endocrinológicas ou genéticas. A maioria dos casos está relacionada com fatores ambientais envolvendo alterações no clima, manejo nutricional e fatores estressantes,

     Temperaturas elevadas causam "estresse térmico" nos animais e eles podem afetar diretamente o desenvolvimento embrionário, especialmente na primeira semana, assim como pode acarretar queda na qualidade dos óvulos produzidos e também alterar as condições do útero para manutenção da gestação. Nesses casos, o retorno ao estro será no tempo regular.

        Vale ressaltar que as vacas de leite são mais sensíveis ao calor, pois apresentam metabolismo acelerado. Se o ambiente apresentar umidade relativa do ar elevada, associado ao estresse térmico causado pelo calor, os prejuízos à produção serão ainda maiores, pois o processo de controle da perda de calor ficará ainda mais prejudicado.

      Por isso, as raças de origem europeias criadas em ambiente tropical necessitam de seleção criteriosa no que se refere às características de adaptação a fim de diminuir as perdas embrionárias que são maiores nesses animais.

      A nutrição é outro fator que afeta a função reprodutiva e pode ocasionar perdas embrionárias. Uma dieta restrita em energia pode ocasionar diminuição da taxa de fertilização, assim como incrementar as perdas embrionárias.  A recomendação é de que não haja mudanças bruscas na condição corporal dos animais no período gestacional, pois estudos evidenciaram que alterações de 01 ponto no índice de escore corporal geram aumento no percentual de perdas embrionárias.

       Portanto para diminuir as taxas de mortalidade embrionária, recomenda-se que sejam adotadas as seguintes práticas: manejo nutricional adequado sem mudanças bruscas; manutenção dos animais em bom estado corporal (ECC - 3 A 40); seleção de animais com histórico positivo de desempenho reprodutivo descarte de fêmeas de baixo rendimento; utilizar animais com características adaptadas ao ambiente; prevenir o estresse térmico garantindo acesso à águia em abundância, períodos de sombra e descanso, e utilização de protocolos hormonais para auxilio na manutenção da gestação, tais com: suplementação com progesterona e uso de gonadotrofina coriônica humana, após inseminação, dentre outros.


Dr. André Dalto - Médico Veterinário

Doutor em Reprodução Bovina